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CHORO SILÊNCIOSO
Tenho um meio irmão. Ele é meio japonês e meio brasileiro. Não sei por onde ele anda há muito tempo. Crescemos juntos como dois velhos amigos. Brincamos e brigamos, mas sempre nos amamos. Quando fomos ficando mais velhos nos separamos, foi cada um viver sua vida. Um dia nos reencontramos e tudo tinha mudado. Nos aturamos em vez de nos amarmos e com isso nos magoamos muito. Um dia brigamos e nunca mais nos falamos. Ele nem mora mais no Brasil e nem lembro como é a sua fuça. Minha mãe deve rezar todos os dias de manhã para voltarmos a nos falar um dia. Sabem como são as mães né? Eu torço por ele. De verdade. Um dia quem sabe tudo se acerta, mas hoje depois de tanto tempo, prefiro que as coisas continuem assim. Ele vivendo do jeito dele e eu do meu. Não o odeio e nem quero seu mal, mas também não tenho a mínima vontade de encontra-lo. Não temos assunto, nem afinidade. Um dia quem sabe. Com o tempo depois de algumas porradas, inconscientemente aprendemos a nos proteger de alguma forma e esta foi a forma que infelizmente ou felizmente arrumei pra me proteger. É só uma mera questão de sobrevivência. Sem perceber eu limo as pessoas. Geralmente as pessoas que mais amo. Eu simplesmente as tiro da minha cabeça, perco o interesse por elas e isso não significa que a partir daí passo a odia-la ou algo do tipo, só acho que não me faz bem e procuro evitar tudo que não me faça bem. É um jeito de zelar por minha integridade física e moral hoje em dia. Se a pessoa é admirável, continuo a admirá-la e respeitá-la, mas de longe, sem que ela saiba. É claro que machuca um pouco, mas é só um pouco, enquanto que ao lado dela é muito. Enfim eu escrevo tudo isso só pra tentar me entender um pouco mais. Não agüento mais meu choro em silêncio.
Escrito por Pankada às 13h39
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