VAZIO DANADO
Em toda grande praça sempre tem uma senhora com suas tralhas que cuida dos pombos. Em cima do viaduto sempre tem alguém pronto pra saltar. Uns mais discretos e outros totalmente indiscretos. Os grandes amigos moram bem longe e têm a agenda lotada. Tem algo mais inconstante que a felicidade? É claro que tem, mas por hora, não consigo pensar em nada. Escrevo sempre pra tentar tampar um grande vazio que aparece de vez em quando. Escrevo porque gosto, mesmo quando não tenho o que dizer, como agora por exemplo. E a vida como um sopro vai passando e nunca quer saber de voltar atrás. Esta nossa chance é única. E agora debaixo do viaduto muitos dormem embriagados pra se aquecerem do frio. Outros ainda tentam um trocado e o máximo que conseguem é uma catarrada. E a senhora com a tralha continua lá tentando se comunicar com os pombos. Alguém tem que cuidar deles, ela pensa. E quem cuida dela, penso eu. A esta altura já perdeu toda a esperança de ser entendida no planeta terra. Ela deve pensar que deveria se mudar pra Jupiter ou Marte. Jupiter tem acento, mas estou com preguiça de acentuá-lo. E não é que escrever afasta o vazio da gente, pelo menos até o próximo dia, porque agora já são mais de meia-noite e daqui a pouco vou dormir. Nem terei tempo de chorar. O outro dia é uma outra história. Você sabe o que é passar dos 30 anos, depois de já ter feito uma porrada de coisas na vida e o máximo que você consegue é levar tua garota pra comer no Habib´s? É... pensando bem, pode até ser um luxo, pensando bem... tem um vazio danado pensando ainda se vai ou se fica. Eu vou, ele que se exploda.
Escrito por Pankada às 00h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|